
Comunicar-se é uma necessidade básica em qualquer ambiente. No trabalho, uma comunicação clara e acessível está relacionada à segurança, à qualidade das atividades, ao desenvolvimento das pessoas e às relações construídas no dia a dia. Foi a partir dessa perspectiva que estudantes da disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras), da FAHOR, participaram de uma série de atividades que aproximaram o aprendizado da realidade profissional e da convivência com pessoas surdas.
Um dos momentos contou com a participação de Vinicius Alberto Fiedler, que atua na Supervisão de Montagem de Colheitadeiras da John Deere. A conversa abordou a presença da Libras no ambiente corporativo e as responsabilidades das organizações na construção de uma comunicação mais acessível.
Entre os exemplos apresentados estão a adaptação de materiais, treinamentos e comunicados, a disponibilidade de intérprete de Libras, ferramentas acessíveis e espaços de diálogo com colaboradores surdos. Também foi destacada a importância da formação de colegas ouvintes que tenham conhecimentos básicos de Libras e possam contribuir para uma comunicação mais fluida no cotidiano da equipe.
A discussão mostrou que acessibilidade não depende somente de recursos ou estruturas específicas. Ela também está presente nas atitudes e nas relações estabelecidas diariamente.
“Você também precisa chamar para dançar” foi uma das provocações apresentadas aos estudantes. A ideia é simples: incluir uma pessoa surda nas interações sociais, demonstrar interesse genuíno em se comunicar, tornar a comunicação mais acessível e combater barreiras atitudinais também são formas de inclusão.
Diferentes experiências ajudam a compreender a realidade da comunidade surda
A disciplina também trouxe para a sala de aula a perspectiva de quem acompanha essa realidade de perto. Dione Nascimento, mãe de uma pessoa surda, compartilhou com os estudantes experiências relacionadas à trajetória da família, desde o diagnóstico até a inserção do filho no ensino superior e no mercado de trabalho.
O relato permitiu discutir desafios que ultrapassam a questão linguística, como a busca por intérpretes, as barreiras atitudinais e a necessidade de garantir, na prática, os direitos de acessibilidade. Também esteve em pauta a importância de estimular a autonomia da pessoa surda e reconhecer sua capacidade de estudar, trabalhar, tomar decisões e ocupar diferentes espaços da sociedade.
Para completar a experiência, os estudantes participaram de uma atividade prática com Débora e Kátia, duas mulheres surdas da comunidade de Horizontina. O encontro possibilitou colocar em prática o vocabulário trabalhado na disciplina e ampliar a segurança dos estudantes na comunicação em Libras.
Cada estudante realizou uma apresentação pessoal e profissional, compartilhando informações sobre seu curso, trajetória acadêmica, interesses profissionais, rotina e atividades de lazer. A dinâmica aproximou o conteúdo estudado em sala de situações reais de comunicação.
A proposta da atividade foi ampliar o olhar dos estudantes para a Libras como uma ferramenta de comunicação que pode estar presente em diferentes contextos da vida acadêmica, profissional e social. Mais do que aprender sinais, a experiência reforçou que construir ambientes acessíveis também envolve disposição para se comunicar, ouvir e participar das relações cotidianas.
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